Aula 3 – A globalização e o impacto sobre as culturas

Apresenta algumas das principais características da sociedade globalizada em suas vertentes econômicas, políticas e culturais; explora algumas questões sobre o impacto da globalização nos processos de mudanças da sociedade contemporânea; aborda os modos como a globalização cria novas identidades e influi as percepções dos sujeitos acerca das estruturas sociais.

O professor Mário Luiz Ferrari Nunes disponibilizou um texto de apoio no qual  menciona o sugerido por Hall(1998).

Por conta disso,Hall (1998) sugere a possibilidade de a globalização produzir, simultaneamente,novas formas de identificações tanto globais como locais. Seu posicionamento pode ser observado mediante o aumento dos processos de homogeneização e,também, os de resistência e das tentativas de outras possibilidades para a configuração social.

Há a criação de um novo sujeito que não está mais preso às  fronteiras geográficas , culturais , religiosas,políticas etc. Para observarmos isso, disponibilizo um vídeo que encontrei na rede e que casa com o assunto exposto pelo professor na  aula:

Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=1eyq2h0U04w

A grande verdade que a maioria de nós não quer assumir é que nos tornamos, por conta dessa globalização,extremamente egoístas e consumistas. Tal situação é expressa pela charge abaixo:

Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/galerias/imagem/0000000803/md.0000022417.jpg

Quando  nos colocamos a pensar acerca da globalização e seus efeitos, percebemos que o maior problema tem a ver com o impacto do neoliberalismo   na educação.

A retórica neoliberal atribui um papel estratégico à educação e determina-lhe basicamente três objetivos:

1) Atrelar a educação escolar à preparação para o trabalho e a pesquisa acadêmica ao imperativo do mercado ou às necessidades da livre iniciativa. Assegura que mundo empresarial tem interesse na educação porque deseja uma força de trabalho qualificada, apta para a competição no mercado nacional e internacional. Fala em nova vocacionalização, isto é, numa profissionalização situada no interior de uma formação geral, na qual a aquisição de técnica e linguagens de informática e conhecimento,, de matemática e ciência adquirem relevância. Valoriza as técnicas de organização, o raciocínio de dimensão estratégica e a capacidade de trabalho cooperativo.

Sobre a associação da pesquisa científica ao ethos empresarial, é preciso lembrar, segundo Michael Apple, que na sociedade contemporânea a ciência se transforma em capital técnico-científico. E as grandes empresas controlam a produção científica e colocam-na a seu serviço de diversas formas: a) pelo controle de patentes, Isto é, de produtos de tecnologia científica. Assim, percebem as novidades e as utilizam, antecipando tendências no mercado; b) por meio da pesquisa científica industrial organizada na própria empresa; c) controlando o que Apple chama de pré – requisitos do processo de produção científica, Isto é, a escola e, principalmente, a universidade, onde se produz conhecimentos técnico-científicos. A integração da universidade à produção industrial baseada na ciência e na técnica, transforma a ciência em capital técnico-científico.

2) Tornar a escola um meio de transmissão dos seus princípios doutrinários. O que está em questão é a adequação da escola à ideologia dominante. Esta precisa sustentar-se também no plano das visões do mundo, por isso, a hegemonia passa pela construção da realidade simbólica. Em nossa sociedade a função de construir a realidade simbólica é, em grande parte, preenchida pelos meios de comunicação de massa, mas a escola tem um papel importante na difusão da ideologia oficial. O problema para os neoliberais é que nas universidades e nas escolas, durante as últimas décadas, o pensamento dominante, ou especular, conforme Alfredo Bosi, tem convivido com o pensamento crítico nas diversas áreas do conhecimento e nas diversas práticas pedagógicas dialógicas, alternativas. Nesse quadro, fazer da universidade e da escola veículos de transmissão do credo neoliberal pressupõe um reforço do controle para enquadrar a escola a fim de que cumpra mais eficazmente, sua função de reprodutora da ideologia dominante.

3) Fazer da escola um mercado para os produtos da indústria cultural e da informática, o que aliás é coerente com a idéia de fazer a escola funcionar de forma semelhante ao mercado, mas é contraditório porque, enquanto, no discurso, os neoliberais condenam a participação direta do Estado no financiamento da educação, na prática, não hesitam em aproveitar os subsídios estatais para divulgar seus produtos didáticos e paradidáticos no mercado escolar.

Disponível em http://www.cefetsp.br/edu/eso/neoeducacao1.html

A escola deve  fazer  frente ao neoliberalismo cuja preocupação primordial  é  preparar o  indivíduo para tornar-se um consumidor e olhar para tudo como se fosse se fosse uma relação entre consumidor e objeto a ser consumido. A escola não tem mais alunos, tem clientes.Os alunos são “consumidores”. O objeto de consumo  é o ensino. Os professores devem tornar o objeto de consumo  em algo que seja desejável para o aluno. E também preparar o aluno para o mercado de trabalho.

Bernard Charlot em uma conferência na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa afirmou que a escola deve enfrentar quatro desafios - 14 de Junho de 2007

Quatro são os desafios que a escola há de enfrentar devido às evoluções da sociedade contemporânea.

Por essa ter‑se dado como objetivo prioritário o desenvolvimento econômico e social, que requer um maior nível de formação da população, a escola deve resolver os problemas oriundos da democratização escolar. Entre esses problemas, cabe destacar o da nova relação com o saber: há cada vez mais alunos que vão à escola apenas para “passar de ano”, sem encontrar nela sentido nem prazer.
Por a sociedade contemporânea priorizar as lógicas de qualidade e eficácia, a escola deve atender a novas exigências. Essas não são em si abusivas, mas resta saber o que significam as palavras “qualidade” e “eficácia” quando referidas à escola. Pode esse sentido ser muito diferente numa lógica do diploma e da concorrência e num projeto de verdadeira formação para todos.
Por a sociedade contemporânea ser envolvida num processo de globalização neoliberal, a educação tende a ser considerada como uma mercadoria entre outras, num mercado “livre” onde prevalece a lei da oferta, de demanda e da concorrência. Em tal situação, a escola pública sofre numerosos ataques, que poderiam se tornar ainda piores quando as negociações de doha sobre a aplicação do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços saírem do impasse atual.
Por o mundo ser hoje mais aberto e mais acessível nas suas várias partes e culturas, a escola há de encarar novos desafios culturais e educativos, decorrentes dos encontros entre as culturas, da divulgação mundial de informações e imagens e da ampla difusão de produtos culturais em língua inglesa. Entretanto, talvez o desafio seja até mais profundo: a interdependência crescente entre os homens, gerada pela globalização, e, ainda mais, o ideal de solidarização entre os seres humanos e entre estes e o planeta, permeando o altermundialismo, requerem uma nova dimensão da educação, em que se combinem uma sensibilidade universalista e o respeito à homodiversidade.
Há de encarar esses desafios uma escola que manteve a forma escolar estabilizada no século XvII, uma escola cujos conteúdos se  sedimentaram no fim do século XIX e no início do século XX. O fato de o horizonte ser hoje o futuro da espécie humana e do planeta Terra e as novas tecnologias de divulgação da informação deveria levar a uma redefinição dos conteúdos e das formas de transmissão, de avaliação e de organização da escola. Não é isso, porém, que está acontecendo, muito pelo contrário. Com efeito, a lógica neoliberal da concorrência tende a reduzir a educação a uma mercadoria escolar a ser rentabilizada no mercado dos empregos e das posições sociais e isso faz com que formas de aprendizagem mecânicas e superficiais, desconectadas do sentido do saber e de uma verdadeira atividade intelectual, tendam a predominar. Observa‑se hoje uma contradição entre os novos horizontes antropológicos e técnicos da educação por um lado e, por outro, as suas formas efetivas. Atrás da contradição social se desenvolve uma contradição histórica: a sociedade globalizada trata o saber como um recurso econômico, mas requer homens globalizados instruídos, responsáveis e criativos. Talvez essa contradição seja um dos motores da História no século que acaba de abrir‑se.

http://sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/04-14-Conf2.pdf

O desafio é enorme! Minha esperança é que a escola e os professores possam responder  com  dignidade ao desafio….

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Sobre coordenandoospassos

Graduado em Letras - (Português/Inglês e suas respectivas literaturas) Professor - Educação Tecnológica - LEGO(Robótica)
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